terça-feira, 5 de agosto de 2025

A SOLIDÃO LACANIANA


 

Há em mim um silêncio que nem o mundo consegue nomear.

Não é ausência de vozes, mas excesso de linguagem...

Falo... e escapa.

Escuto... e falta.

Entre mim e o outro, há sempre um abismo de significantes....

Fui lançado no espelho,

e ali me reconheci por engano.

O que vi?

Um reflexo moldado pelo desejo de ser visto.

Mas não era eu, era uma imagem —

um “eu” emprestado, fragmentado, sedento de sentido.

O desejo me move, mas nunca me preenche.

Porque o desejo é do Outro.

Desejo ser o que falta no olhar alheio,

e nisso, perco-me de mim.

Há um gozo que não sei nomear,

ele me atravessa quando o mundo se cala.

Não é prazer — é algo além.

Cruel, solitário, íntimo....

Um excesso de ser que não cabe em palavras.

Essa é minha solidão:

não estar só,

mas nunca ser inteiro.

Porque ser sujeito é ser fenda,

falta,

ruptura....

É carregar dentro de si

um ponto inalcançável

até mesmo pelo amor.

E ainda assim,

neste vazio,

me torno humano...


Lacan nos declara todo os dias...que a falta de nós mesmo em nós é imensa...

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