Há em mim um silêncio que nem o mundo consegue nomear.
Não é ausência de vozes, mas excesso de linguagem...
Falo... e escapa.
Escuto... e falta.
Entre mim e o outro, há sempre um abismo de significantes....
Fui lançado no espelho,
e ali me reconheci por engano.
O que vi?
Um reflexo moldado pelo desejo de ser visto.
Mas não era eu, era uma imagem —
um “eu” emprestado, fragmentado, sedento de sentido.
O desejo me move, mas nunca me preenche.
Porque o desejo é do Outro.
Desejo ser o que falta no olhar alheio,
e nisso, perco-me de mim.
Há um gozo que não sei nomear,
ele me atravessa quando o mundo se cala.
Não é prazer — é algo além.
Cruel, solitário, íntimo....
Um excesso de ser que não cabe em palavras.
Essa é minha solidão:
não estar só,
mas nunca ser inteiro.
Porque ser sujeito é ser fenda,
falta,
ruptura....
É carregar dentro de si
um ponto inalcançável
até mesmo pelo amor.
E ainda assim,
neste vazio,
me torno humano...
Lacan nos declara todo os dias...que a falta de nós mesmo em nós é imensa...

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